sexta-feira, 21 de maio de 2010

EXAMINAR A PRÓPRIA VIDA NOS LIVROS

Vi escrito, a propósito dos livros de Alain de Botton - mais uma afinidade que descobri na minha amiga brilhante -, que ele devolve à filosofia um lado que sempre lhe fora inerente e se tem perdido: o de nos ensinar a examinar e a viver a vida.

Pois eis como, em Kierkegaard, que continuo lendo, reencontro essa dimensão de pensar que ajuda a pensar-me - e a pensar os meus actos. Quase como se, à semelhança de certos descodificadores das linhas do futuro nas folhas de chá ou em máximas chinesas, também deparasse, a cada momento, em cada linha, com a resposta que me faltava, a lição por que aguardava.

E, por exemplo, para mim, isto faz todo o sentido:

«[...] é grande renunciar ao desejo, mas é maior apegar-se a esse desejo depois de haver dele abdicado; grande é agarrar o eterno, mas maior é segurar o temporal depois de haver dele abdicado.»

Ou:

«Só as naturezas inferiores se esquecem de si próprias e se transformam em algo de novo. Assim a borboleta esqueceu completamente que fora larva, porventura poderá voltar a esquecer completamente que era borboleta a ponto de se transformar em peixe. As naturezas mais profundas nunca se esquecem de si próprias, nunca se transformam numa coisa diferente do que foram

Por alguma razão, neste momento, precisava de o ouvir.

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