Camões, Pessoa e todo o seu drama em gente. Eça, Camilo. Alguma coisa de Saramago. E Gonçalo M. Tavares. [Embora o último seja muito novo, muito recente, e possa parecer precipitação minha incluí-lo; mas, enfim, a considerar que, dos novíssimos escritores, já poderia propor algum, não tenho dúvidas de que seria GMT.] Se não os vejo como deuses, encaro-os como o estofo da poesia e da literatura em língua portuguesa.
Neste estatuto, há lugar para outros tantos, entre os quais muitos escritores brasileiros que não me dei ao trabalho de mencionar. A minha paixão não se concentra nos referidos, numa relação de exclusividade. Falo destes, porque são mais universal e inequivocamente aqueles sem os quais o português literário seria, de certeza, outra coisa qualquer.
Com a minha longa introdução, procuro que se não enganem acerca das intenções dos argumentos que usarei. Não há deuses. Querer continuar-se Os Maias não me parece, portanto, um acto de profanação. Só mesmo um gesto disparatado e ridículo.

Os Maias não precisa de prolongamento. Eis o ponto. Queiram seguir-me: basta ler-se o "início da continuação", pelo punho de José Luís Peixoto, para nos apercebermos da vertiginosa extensão da tonteria e do equívoco. Ora vejam: «Ainda o apanharam!» Ora abóboras! Com um só período, escangalha-se o fim, sabiamente aberto, que Eça de Queirós carregara de uma subtil ironia, de tristeza e cepticismo, de um conformismo nervoso e eufórico, de um quasi-optimismo melancólico, num paradoxo em que o cómico alivia, mas não apaga o trágico. Faz-se dele um princípio obtuso: «Ainda o apanharam» - e seguem por aí fora.
Julgava-se homenagear a sua referência maior? Isso é que é trágico, menino, isto é que é trágico.
1 comentário:
Soube do excremento (para referir Alencar, claro) pelo Delito de Opinião, logo que a notícia veio a público. Incomodou-me tanto, mas tanto, que nunca escrevi sobre o assunto, mas acabei a debatê-lo no Facebook com duas amigas e um descendente de Eça.
Aquilo que mais me surpreende é que os nomes convidados tenham pactuado com ideia tão imbecil. Suponho que o dinheiro tenha falado mais alto, e tenho mesmo muita pena.
Aproveito para lhe dar a conhecer o extinto (com grande mágoa minha) o blogue de uma dessas amigas, a Ana Vidal, que hoje só escreve no Delito de Opinião.
Tenho a certeza de que vai ficar rendido.
http://portadovento.blogs.sapo.pt/
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