
Descobri a Trama através de Anita no Alfarrabista. É uma livraria pequena, na Rua São Filipe Nery [51-A], perto do Largo do Rato. Os clientes são atendidos por livreiros a sério, não por jovens uniformizados e desconhecedores. Percebe-se que os livros não são, para eles, meros objectos de compra e venda: estão ali como estão em minha casa, meio espalhados mas segundo uma lógica em que se não perdem. A própria secretária de onde me atende (e atenta) um rapaz de barba e cachecol de lã, diante de um computador, mostra uma irresistível e maravilhosa desarrumação de livros sobre livros.
Há qualquer coisa de sagrado naquele lugar. Não é um MacDonald's de livros, é uma capelinha com tesouros secretos, onde nos sentimos muito bem, vasculhando, folheando, perguntando. Descobri um Cortázar que me ficou debaixo de olho, tropecei no Santo Súbito de Miguel-Manso. [Não comprei, infelizmente não ia preparado, o que é um bom pretexto para o regresso].
Como imaginam, é com algum orgulho que vos anuncio que o meu livro também já está aí à venda. E há que dizer isto com a maior das sinceridades: não deixem de fazer uma visita à Trama - mesmo que o meu livro não interesse a ninguém.