domingo, 19 de agosto de 2012
AINDA SOBRE MIDDLEMARCH
A minha amiga Andy, sob efeito do entusiasmo que, ao longo de uma tarde inteira, me fez falar obcecadamente acerca de Middlemarch, decidiu dar início à leitura da obra.
À noite - nessa noite ou noutra, sinto-me incapaz de precisar - vinha frustrada.
O estilo parecia-lhe "old-fashioned" [Andy, esposa de meu incontornável primo, é norte-americana]; na comparação com Jane Austen, George Eliot soava-lhe pouco convincente.
Ralhei-lhe pela comparação. Eliot é Eliot. Pedi-lhe que não desistisse.
Hoje, tinha um mail, que me enviou do Algarve: está - como eu esperava - a gostar imenso de Middlemarch.
Explicava-me a razão das comparações: embrenhando-se em território novo, precisa de uma referência - provavelmente com características semelhantes, de época, cultura, género ou outras - para saber o que está a perder e o que está a ganhar, para saber o que pedir e como progredir.
Afirma que as personagens de Eliot são muito mais profundas, extremamente bem trabalhadas, carregadas de ângulos e subtilezas - «quase», escreve, «como em Proust»; rematando, porém: «But Proust is still the best».
A tudo o que tenha já referido sobre Eliot, gostaria de acrescentar este pormenor. Observem a qualidade com que a autora pega naquilo a que chama, em dado ponto, «o recanto perturbador da consciência»; atentem na maneira como, em redor da previsível proximidade da morte do chantagista, o chantageado, que está a sós com ele, e a quem a sua morte conviria, e que pode ou não cumprir a prescrição do médico, ou dar-lhe a beber o álcool que lhe será fatal, não sabe realmente o que o move; até que ponto os seus actos são deliberados, e culpados, ou devidos a uma suspeita série de inadvertências e esquecimentos: há fronteiras tão ténues, a auto-consciência tem tantos alçapões e espelhos...; e observem, nos diálogos, a laboração do "equívoco": o leitor sabe [é um exemplo] o que Doroteia pensa e quer, o leitor sabe o que Will pensa e quer, o leitor sabe que eles se amam [embora Doroteia não entenda que o que sente é amor, senão muito tarde] e, portanto, é com alguma inquietação que seguimos a conversa em que se enganam completamente, só porque nenhum dos dois pode ler o outro à transparência; nenhum deles pode senão "interpretar" palavras que, mesmo que sinceras, nunca dizem tudo e acabam sempre sugerindo possibilidades diferentes, e até opostas às que o emissor pretenderia que se compreendesse.
E aqui, sobretudo aqui, Eliot é do melhor que tenho lido.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
GEORGE ELIOT: MIDDLEMARCH
Middlemarch foi recentemente reeditado em português - porventura pela Relógio d'Àgua, mas não estou certo.
Pensava há muito ler este romance; vê-lo exposto nas livrarias, volumoso, apetecível, convidativo, pôs-me em estado de caça, como um vampiro captando o odor de uma jovem de bom sangue.
Um pormenor: a novel edição custa 30 Euros.
Não discuto se é caro, se as editoras são empresas geridas por glutões, se é justo para o leitor, se, pelo contrário, não há preço que pague um livro. Ou se ou se. A minha questão é de natureza diversa: pessoalmente, não posso dar-me ao luxo de desembolsar 30 Euros por nenhum livro, mesmo sabendo que para mim não se trata realmente de um luxo mas de um bem de primeiríssima necessidade. Assim, se este blogue de um leitor voraz mas esmagado pela crise, pode contribuir para que os seus seguidores sejam postos perante algumas pistas que os conduzam aonde e a como ler o que queiram gastando menos, então eis o que fiz. Nada de transcendente, aliás: dirigi-me à Biblioteca Municipal de Oeiras. Middlemarch não está à vista, mas no depósito encontra-se a tradução extraordinária, dos anos 50 ou 60, que me introduz na força deste romance escrito por uma mulher que assinava com um pseudónimo masculino.
Nos grandes escritores britânicos do século XIX, como James [porque, para os efeitos que importam, considero Henry James um escritor culturalmente britânico; e por alguma razão acabou por se naturalizar inglês] ou Hardy, notamos um vínculo vivíssimo, um ar de família, que dificilmente se analisaria, mas tem que ver com a inteligência irónica dos diálogos, um certo gosto pela boutade, a perfeição no descrever de lugares ou caracteres, a exposição do ridículo em que se revelam as inflexíveis hierarquias sociais britânicas ou o trágico de sentimentos que explodem, contrariando e desafiando, romanticamente, essas hierarquias. Lendo Middlemarch, descobrimos, encantados, onde reside um dos fundadores, uma das raízes próximas desse "tom" subtil, que vai descrevendo, vai narrando e, simultaneamente, reflectindo acerca das pessoas e dos actos.
"Middlemarch" é o nome de uma pequena cidade de província. Em torno das personagens centrais de Middlemarch Town, as famílias de prestígio, com os seus renhidos e em geral inconsequentes conflitos por influência política ou social, as suas filhas ou filhos casadoiros, os eclesiastas de religiões rivais, o grupo de médicos antigos, agastados pela presença de um doutor jovem, recém-vindo, as reuniões de salão nas casas importantes, George Eliot cria uma história em que se conjugam, necessariamente, diversas histórias e sub-histórias, nenhuma das quais é menor em interesse. Fá-lo com aquela noção do "todo" complexo, tão cara à literatura do século XIX: como se erguesse uma monadologia em que cada mónada é uma obra completa e fechada em si mesma, mas de um ajustamento rigoroso à estrutura em que se completa.
É um romance sobre o eterno equívoco entre gerações, e sobre o eterno equívoco a que se chamou amor. É, como em Karenina ou Bovary, ou na Luisinha do Primo Basílio, um romance acerca das virtudes nefastas dos casamentos: e, naturalmente, sobre esses fogos fátuos que são as paixões interditas, aparecendo inopinadamente para atiçar o lado inconformado de todos [quase sempre: todas] os que se confrontam com a realidade quotidiana, medíocre e sem chama, do que, um dia, parecera o casamento ideal.
Há uma preocupação com o estilo que nunca é fatigante (como ocorre, por vezes, em Henry James); uma impressionante sageza de como suspender uma personagem, ou uma situação ou uma trama, para retomar outras, e como, mais adiante, regressar às que nos tinham deixado saudades ou em cuidado; e há, sobretudo, a voz do narrador, que nos encanta e de quem nos tornamos imediatamente cúmplices: esse narrador assexuado, mas que tão bem conhece os homens e as mulheres, omnisciente, de certa forma, mas não divino, porque se engana e retrocede - como quando, num delicioso capítulo, principia a falar de Doroteia e, de súbito, se interrompe para se interrogar: Mas por que estamos constantemente a falar sobre Doroteia, como se não houvesse nada a dizer sobre o senhor seu marido? E toma-o, então, como centro da sua narração ao longo do capítulo.
Middlemarch é um romance imprescindível. Faz parte de um clube restrito. Poderíamos nunca descobri-lo, e talvez nem todos o amem como eu o amo já. Mas faz parte de um clube restrito e altamente selectivo: é uma dessas obras que, mais tarde ou mais cedo, terão de ser lidas.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
NOEL ROSA: CONVERSA DE BOTEQUIM
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro
Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente
Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
ANDRÉ GIDE: JOURNAL
Meu avô lia livros em francês.
Eram uns volumes da Gallimard, que ora lhe via entre as mãos, ora pousados em mesinhas de cabeceira, do formato e da espessura certos, com as capas que, quando não forradas, deixavam ver os títulos e os nomes de autores que, naturalmente, me fisgavam o interesse desde então: Pascal, Proust, Alain.
Sobre Proust, estamos conversados: quando, muito mais tarde, principiei a lê-lo com intenção e possibilidade de chegar ao fim, percebi que nunca mais lhe preferiria nenhuma outra obra na vida; acerca de Alain, não estamos minimamente conversados: continuo à procura dos volumes dos seus Propos; tento, periodicamente, encomendar o primeiro, ou o segundo ou qualquer um, ansioso por compreender o fascínio que a filosofia leve, mas não superficial, fragmentária e perspicaz, de um professor de província [ou estarei totalmente equivocado?] poderia ter exercido sobre o meu cosmopolita avô.
Comprei e venho lendo, por estes tempos, o Journal, de André Gide: não o diário na íntegra, que terá milhares de páginas, mas páginas sabiamente escolhidas, e convenientemente apresentadas, de forma a penetrarmos no espírito de Gide, como se entrássemos em sua casa. Porque Gide é particularmente acolhedor: e, falando do seu árduo treino de piano, da sua escrita, da sua inquietação perante a dificuldade, em certas fases, que essa escrita lhe custa, ou da sua fé e das suas crises ou das suas leituras [interessantíssima a referência a uma "constelação" de afinidades, de que fariam parte Nietzsche, Dostoievski e Blake] e, sobretudo, das suas conversas, senta-nos à sua mesa, viaja connosco na carruagem que nos faz ver, aproxima-se no seu génio e na sua fragilidade. Às vezes, com o pequeno livro nas mãos, sinto-me regressado à infância: tornei-me, de certa forma, o meu avô: este livro, que sublinho, que cheiro e temo estar lendo demasiado depressa, arriscando-me a concluí-lo de um momento para o outro, faz parte daquela "constelação" de livros a que a imagem do avô me estará para sempre associada.
Relativamente a Gide, mantinha, até agora, uma reserva tensa. Custava-me que fosse um dos responsáveis - aliás, parece que o principal - por que a obra de Proust não tivesse sido inicialmente publicada; custava-me a leitura que fez de "À la Recherche", tratando-a como a série interminável de descrições de bailes, nos salões aristocráticos de Paris. Lendo o seu diário, entendo-o um pouco melhor. Percebe-se que Gide é penetrante, e que tem sempre razão nas suas reflexões - isto é, pelo menos uma certa razão, mesmo nos casos em que o tempo viria mostrar que, no essencial, a sua visão estava errada. Há sempre qualquer coisa de subtil e profundo que ele "capta"; saber se essa "captação subtil e profunda" é o importante, o que há-de contar, isso depende mais do porvir, do sentido do porvir, ou do que a História, na sua parte de acaso, acabar por distinguir...
Tudo o que Gide diz a respeito de Proust, nomeadamente da sua relação enganadora com a homossexualidade, é absolutamente correcto. Que o acuse de, na sua obra, tratar falsamente a homossexualidade, expondo-a num retrato que guarda dela unicamente o cómico e o sórdido, transferindo toda a beleza e inocência para as relações heterossexuais, é indiscutível. Que Proust tem de ser lido para além disso, porém, no sentido em que a sua obra é inesgotável e infinitamente superior a esse aspecto, é uma evidência que André Gide recusou. Eu diria que a sua homossexualidade, assim confrontada, não lhe possibilitou ser um leitor total...
domingo, 29 de julho de 2012
GLENWAY WESCOTT: O FALCÃO PEREGRINO
Li-o, sob o estado de graça proporcionado pelo facto de haver sido um livro recomendado por um leitor de primeira qualidade: Pedro Mexia.
Gosto muito de Pedro Mexia, poeta e ensaísta, cinéfilo e radialista; procuro-lhe os livros, as crónicas, oiço religiosamente o programa em que, na TSF, colabora com Carlos Vaz Marques e o mais que brilhante Ricardo Araújo Pereira.
O livro em que PM me aconselhava um outro livro é a compilação dos textos do seu blogue, "Estado Civil". Chama-se precisamente "Estado Civil" e merece, também, uma palavra a que um dia me não furtarei. Furto-me hoje, para falar do tal romance que ele refere, aí, com uma paixão contagiante.
Não conhecia "O Falcão Peregrino", nem conhecia o seu autor, Wescott, da geração de Fitzgerald.
"O Falcão Paregrino" é um romance breve: ou uma novela longa?
Não importa. Importa reconhecer a mestria com que, na extensão justa, como num poema em que nada pode ser acrescentado ou suprimido, o autor vai desenvolvendo uma trama de relações que se cruzam e, no arco de uma tarde, acabam por revelar segredos, tensões que se ocultavam, intimidades que se mantinham sob papéis estabelecidos. Algo no género de "Quem tem Medo de Virgínia Woolf'?", que é um dos meus filmes predilectos: um casal visita um outro casal. [No "Falcão", o casal que recebe é um casal de circunstância, uma vez que se trata do narrador e de uma amiga, que ele próprio visitava, tal como o casal que entra depois em cena está, também, de visita].
Os visitantes são intensos e dramáticos. Ele, de uma comicidade e à-vontade que mascaram raivas e ciúmes longamente recalcados, ela, a proprietária do falcão, aristocrática e histriónica, absorvida pelo falcão que seria, ali, o protagonista dominante, simbólico, prisioneiro altivo, a própria figura de um instinto perverso, indomado - mas, por isso mesmo, frequentemente desadequado e ridículo no seu encarceramento.
Enquanto, na sala, um drama se desenrola na sua linha febril, «lá para dentro» [na cozinha] outras personagens vivem uma linha dramática paralela e quase subterrânea, de que por fugazes momentos nos chegam sinais. [O cozinheiro e a criada residentes, espanhóis, e o "chauffeur" dos visitantes.]
Mas nos desenlaces das duas linhas, que nunca compreenderemos muito bem, ou compreenderemos de forma diferente porque cada leitor construirá, daquela história, uma história pessoal, uma interpretação possível, culmina uma narração contida mas não linear, uma intensificação de segredos que perpassam e de histórias sob a história, que não são contadas e, no entanto, marcam aquelas personagens, e as suas relações, e os seus actos.
O génio está na contenção. Na forma de "simbolizar" sem reduzir nem fugir à descrição de uma realidade plausível. De certa forma, na beleza da linguagem. Na capacidade de reunir tanto em tão pouco, de modo a sugerir e a quase revelar, deixando, no entanto, tanto por revelar. O génio está, até, na simplicidade do que tem inúmeras leituras, e camadas, e cavernas. Como pode este homem ser praticamente um desconhecido no meio de uma geração tão marcante de escritores norte-americanos? Porque era pior que os demais? Porque os seus romances não acertaram no gosto do público da época?
segunda-feira, 25 de junho de 2012
COLLEEN MCCULLOUGH: PÁSSAROS FERIDOS
Lembram-se de Richard Chamberlain? Foi o "Dr. Kildare". Mais tarde, provavelmente nos anos oitenta, representava o papel de Padre Ralph de Bricassart na sua veloz subida pelos patamares da hierarquia da igreja católica, apostólica, romana. A série televisiva em causa chamava-se Pássaros Feridos.
Talvez por causa de Chamberlain, que era um canastrão, ou por força da inevitável analogia com outras séries norte-americanas exibidas pela mesma altura, todas elas demoradas sagas que se moviam sob a ideia fixa de alguma família poderosa e conflituosa, nunca o romance Pássaros Feridos me suscitou a menor curiosidade. Apesar de o ter comprado, há anos. Principiei a lê-lo no outro dia tão-só porque ali estava ele, em alguma estante remota; e porque (é verdade), em tempos de crise, tomei a sábia decisão de comprar menos e "reler" mais ou, alternativamente - foi o que aconteceu - descobrir obras que, por isto ou por aquilo, fora deixando para trás.
Pássaros Feridos narra uma história que desperta ecos de muitos romances de que gostei. Não o digo para o diminuir, como se se tratasse da maçada de andar a tropeçar, página a página, no "déjà-vu"; digo-o para o enaltecer: o facto de beber em outras fontes (e que fontes!) não significa aqui senão que Colleen McCullough teve o anseio de escrever um clássico. O seu modelo é certamente reconhecível: mas é notável como, buscando, para as suas ideias ou para as suas personagens, algumas das referências mais belas e mais intensas da literatura contemporânea, constrói um romance de uma pujança e de uma autenticidade que não deixam partir o leitor sem se cravarem fundamente.
A primeira das grandes obras para que esta remete é Lolita. Aí encontra a substância do amor obsessivo de um homem maduro por uma criança. É o rasgão com o "politicamente correcto", a ousadia de tocar no inaceitável, não o tornando aceitável mas compreendendo-o, sempre no limiar do pavor do pecado; ainda mais porque se fala de um padre, isto é, de uma pessoa para quem a ideia de pecado não é desprezível.
Outra das grandes obras seria O Monte dos Vendavais: pela personagem atormentada, o filho rebelde e renegado, com o seu fervor de vingança, o seu desamor envolvendo um amor incompreendido e impossível; ou pelo magnífico tema - dificílimo de tratar - de um "falso casamento": um casamento de conveniência, que corroerá os que o escolheram como hipótese de esquecer o amor impossível. Mas vejo ali, também, evidentemente, E Tudo o Vento Levou: a mesma grandeza de espaços de que se erguerá uma Nação (no caso de Pássaros Feridos, a Austrália, no outro, os EUA), e o mesmo tipo de relações tumultuosas e equívocas, no âmbito de uma família que procura apoiar a filha de certo modo rebelde, mas também dirigi-la, manipulá-la.
É um romance vagaroso e vigoroso. Sem tempos mortos nem, o que me parece ainda mais difícil, momentos precipitadamente resolvidos. Cada nova perturbação, ou escolha, desenvolve-se num rumo suplementar, um fio mais, que a autora segue, sem o apressar, mas não perdendo de vista uma totalidade magistralmente edificada.
terça-feira, 12 de junho de 2012
GIL DUARTE & ANA CRISTINA MARQUES. ZEN: HISTÓRIA DAS MINHAS VIDAS
É a última criança produzida, em co-autoria (como todas as crianças, aliás), por mim e pela Ana Cristina. Sou o escritor da história de Zen, o gato, e Cristina, mais do que a excelente ilustradora, é a impressionante autora da capa, da paginação, de todos os contactos que permitiram que o livro exista como objecto físico.
Quanto dinheiro se venha a obter em vendas, integralmente reverterá para a Causa dos Gatos [e para a Casa dos Gatos que é a GV].
Tem graça, neste projecto, que certa vez eu tenha dito à Cristina: «Odeio livros sobre animais». Estávamos numa livraria e folheávamos uma coisa chamada "Marley"; ou seria "O Filósofo e o Lobo"? Ou aquele outro que já não me lembro como se chama? É que uma coisa não tem que ver com outra: gostar muito de animais não há-de significar, por força, gostar muito de livros sobre os ditos. Mas, bom, contraditoriamente, "Zen" é já o segundo. [Lembram-se de "Mira-Lata"?]
Para o comprarem? Para o encomendarem? Não sei. O livro escapou-me, nunca me pertenceu - mas, também, nenhum livro pertence ao seu autor, a não ser vagamente durante o tempo em que está sendo escrito. Mas hei-de pedir um "link" que aí vos conduza...