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sábado, 3 de agosto de 2013

EZRA POUND: NIGHT LITANY [DEDICADO A VENEZA.]




Oh God what great kindness
have we done in times past
and forgotten it, that thou
givest this wonder unto us
o God of waters?

Oh God of the night
what great sorrow
cometh unto us, that thou
thus repayest us before
the time of its coming?


sábado, 27 de julho de 2013

R.A.P. & M.E.C.


«Só as pessoas superficiais não julgam os outros pelas aparências...»

Oscar Wilde?
Não. Ricardo Araújo Pereira citando Miguel Esteves Cardoso.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

in O VALENTE SOLDADO CHVEIK [ de JAROSLAV HASEK ]

«De verdade, nunca compreenderei a razão por que os doidos se zangam de estar tão bem instalados. É uma casa onde se pode passear todo nu, uivar como um chacal, ser furioso à vontade e morder até fartar e em tudo o que se quiser. [...] Há lá dentro uma tal liberdade que os socialistas nunca ousariam sonhar nada de mais belo. [...] Toda a gente tinha a liberdade de dizer aquilo que muito bem queria, tudo o que lhe passasse pela cabeça. Parecia que se estava no Parlamento.»

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

HÁ OBRAS QUE, SE COMEÇAMOS A CITAR, TEMOS DIFICULDADE EM PARAR DE CITAR

«Certo dia, Rosewater disse uma coisa interessante a Billy acerca de um livro que não era de ficção científica. Disse que tudo o que havia para saber da vida estava em Os Irmãos Karamzov de Fédor Dostoievski.
»- Mas isso agora já não basta - disse Rosewater.

»Uma outra vez, Billy ouviu Rosewater dizer a um psiquiatra:
»- Eu acho que vocês vão ter de inventar uma data de mentiras novas, pessoal, se não as pessoas simplesmente não vão querer continuar a viver.

»Havia uma natureza-morta na mesa de cabeceira de Billy: dois comprimidos, um cinzeiro com três cigarros sujos de batom, um cigarro ainda aceso e um copo de água. A água estava morta. E é assim. Havia ar a tentar sair da água morta. As borbulhas colavam-se às paredes do copo, demasiado fracas para saírem.»

Kurt Vonnegut, Matadouro Cinco

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

HAENDEL EM ILHA TERESA, DE RICHARD ZIMLER

«E ouviu-se aquela voz.«
«Era uma voz agudíssima sustentando uma única nota perfeita. Quando subiu de intensidade fiquei à espera que se rompesse ou que descesse na escala. Mas não. Não saberia dizer se era uma voz de homem ou de mulher. Era sobrenatural. E talvez por isso mesmo senti a pele arrepiar-se.«
«Quem haveria de dizer que uma única nota nos podia preencher tão completamente?»

«Foi no dia seguinte que eu decidi o que gostaria de cantar se eu pudesse aparecer diante de Deus para pedir que o meu pai voltasse para mim: "Então o que vai ser, minha menina?", perguntava-me o Senhor Deus numa voz imponente, como aquela voz terrífica do feiticeiro de Oz quando a Dorothy lhe foi pedir ajuda. Tremendo como a Judy Garland, eu dizia: "Ombre mai fu, Senhor." Era o nome da ária. Foi composta no século XVIII por Georg Friedrich Haendel. Cantava-a Andreas Scholl.«

«Não houve nunca sombra/ de planta tão cara e gentil/ tão suave«

«Encontrei a tradução na capa do disco. Era uma canção de gratidão pela sombra. Só isso. Uns versos sobre uma coisa tão insignificante como a sombra era capaz de me fazer rir antes de o meu pai morrer, mas agora deixavam-me imaginar o que teria feito o Georg Friedrich Haendel pensar que escapar do sol era tão importante que o levou a escrever a mais bela canção do mundo sobre isso mesmo.»

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

KYOICHI KATAMAYA E UM PARÁGRAFO QUE NÃO PODERIA DEIXAR DE CITAR

«De repente, tive uma terrível certeza. Por mais tempo que vivesse, nunca poderia esperar sentir uma felicidade maior que a que sentia naquele momento, a única coisa que podia fazer era tentar conservá-la para sempre. A felicidade que sentia aterrorizou-me. Se a quota-parte de felicidade que cabe a cada um está determinada de antemão, talvez naqueles instantes eu estivesse a esgotar a parte a que tinha direito para toda a minha vida. E, um dia, os mensageiros da lua arrebatariam a minha princesa e, então, só me restaria um tempo tão longo como a vida eterna.»

Kyoichi Katayama, Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo

domingo, 24 de abril de 2011

AFINAL, DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE AMOR?

«Não há dicionário que assegure a imprecisão da vida».

[Mariana, a propósito de: De que Falamos Quando Falamos de Amor?, perguntando - e de que falamos quando falamos de amizade, de sonho, de infância?]

sábado, 12 de março de 2011

O DON TRANQUILO ***

«- Liólia, o meu amigo Lisstnítzki!
« - Ah! Lisstnítzki! Muito prazer. O meu marido falou-me de si...
«Estava ofegante. O seu olhar sorridente, baço de felicidade, deslizou rapidamente por Lisstnítzki. Partiram juntos. A mão peluda de Gortchákov, com os dedos sujos, cheios de espigas, e de unhas negras, apertava a cintura virginal da mulher. Enquanto caminhava, Lisstnítzki ia olhando de soslaio aquela mão, aspirando o cheiro a verbena e àquele corpo feminino aquecido pelo sol, e sentia-se profundamente infeliz, como uma criança injustamente ferida. Olhava a ponta rosada da orelha pequena a espreitar por baixo de uma madeixa de cabelos de ouro avermelhado, a pele acetinada da face tão perto dos seus olhos, depois o olhar dele deslizou como um lagarto para o decote do vestido e viu um pequeno seio de uma brancura leitosa, com um mamilo castanho. De tempos a tempos, a mulher voltava para ele os olhos claros de reflexos azulados, e o seu olhar era acariciador, amigável, porém uma dor fina e irritante magoava Lisstnítzki quando esses mesmos olhos, ao fixarem-se no rosto negro de Gortchákov, brilhavam de uma maneira inteiramente diversa...»

[o segundo volume foi, talvez, o interregno necessário para situar historicamente o romance no quadro da revolução bolchevique; este, o terceiro, é, de novo, muito belo e muito sensual, como podem avaliar pela descrição do injusto e descabido ciúme de Lisstnítzki]

domingo, 6 de fevereiro de 2011

JULIA E SEBASTIAN: REVIVER O PASSADO EM BRIDESHEAD

«É altura de falar de Julia, que até agora tem desempenhado um papel intermitente e um tanto enigmático no drama de Sebastian. Foi assim que ela me apareceu no momento, e eu a ela. Perseguíamos objectivos diferentes, o que nos aproximou um do outro, mas continuámos estranhos. Mais tarde, disse-me que formara uma ideia sobre mim, como se, ao explorarmos a estante à procura de um determinado livro, a nossa atenção fosse despertada por outro, o tirássemos, olhássemos para o título e, dizendo "também tenho de ler este, quando tiver tempo", o tornássemos a pôr no lugar e continuássemos a procurar. Da minha parte, o interesse era mais forte, porque existia sempre a parecença física entre irmão e irmã que, apanhada repetidamente em poses diferentes, sob diferentes luzes, me trespassava sempre de novo; e, visto que Sebastian no seu agudo declínio parecia extinguir-se e esboroar-se diariamente, cada vez mais Julia permanecia clara e firme

domingo, 16 de janeiro de 2011

ANTONIO MACHADO: POESIA


El ojo que ves no es
ojo porque tú lo veas;
es ojo porque te ve.

Antonio Machado, Consejos, Coplas, Apuntes, Poesía

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

BORGES E A CORAGEM DE CONFESSÁ-LO

«Nunca esquecerei a minha primeira leitura de Kafka numa certa publicação profissionalmente moderna de 1917. Os seus redactores - que nem sempre careciam de talento - haviam-se dedicado a inventar a falta de pontuação, a falta de maiúsculas, a alarmante simulação de metáforas, o abuso de palavras compostas e outras tarefas próprias daquela juventude e, provavelmente, de todas as juventudes. Entre tanto estrépito impresso, uma narrativa que tinha a assinatura de Franz Kafka pareceu-me, apesar da minha docilidade de jovem leitor, inexplicavelmente insípida. Ao fim de todos estes anos, atrevo-me a confessar a minha imperdoável insensibilidade literária: passei diante da revelação e não dei por ela

Jorge Luís Borges [Introdução a O Abutre, de F. Kafka]

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

CITO

«[a escrita] é também uma escuta

Mariana, em comentário ao meu post anterior

domingo, 26 de dezembro de 2010

CITANDO SOLOMON: ACERCA DO ESTILO EM FILOSOFIA

«Mas o estilo em filosofia não é unicamente uma questão de [...] sensibilidade literária: é em primeiro lugar um estilo de pensar, uma abordagem da vida e não somente uma maneira de escrever. Um estilo não é superficial mas profundo, não um jogo mundano mas uma visão do mundo, uma profunda expressão daquilo que uma pessoa é. Um estilo é ele próprio uma filosofia, ou, para inverter os termos, a filosofia é, primeiro que tudo, uma questão de estilo

Robert C. Solomon, Living With Nietzsche - uma das minhas prendas natalícias. (Tradução minha, para o bem e para o mal...)

sábado, 4 de dezembro de 2010

UMA CITAÇÃO EM SEGUNDA MÃO: MAS A CITADORA É TAMBÉM INTERESSANTE

«Temos de proteger sempre aquilo de que os outros fazem troça em nós

Roland Barthes, citado por Adília Lopes

GONÇALO M. TAVARES EM ENTREVISTA A CARLOS VAZ MARQUES







«[...] o livro é uma coisa absolutamente extraordinária. É de outro mundo e de outro tempo. O livro é outro ritmo: não é para aquele minuto, não é para aquele dia, é para aquela semana.
[...]

«O livro é o objecto de culto da lentidão

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O TRIO

«Henriqueta mastigava devagar, apreciando o porco. O seu corpinho seco punha naquela mesa a única nota de uma vida cheia de ocupações correntes, ligadas umas às outras por horas bem saboreadas, más e boas. Ângelo era animado e com um dito a propósito para tudo. Fazia sair as conversas dos cantos mais refolhados da insignificância e do silêncio. Pegava nos assuntos cautelosamente, como no rabinho de um rato; depois deixava espernear o rato, arredado e radiante. Por esse lado parecia-se muito com a irmã; mas separava-os um mau humor corajoso e esfuziante em Henriqueta, um pouco enfastiado e sorna no solteirão. Sentados à mesa, frente a frente, eram como dois primeiros violinos afinados em contracanto, de uma virtuosidade prodigiosa. Januário vibrava de quando em quando à cabeceira a sua arcada de basso, decisiva nas mudanças de andamento

Mau Tempo no Canal

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

BIBLIOTECAS CHEIAS DE FANTASMAS

«Em cada livro que se abre pela primeira vez há um efeito de "cofre arrombado". Sim, é exactamente isso, o leitor frenético é como um assaltante que passou horas e horas a escavar um túnel para chegar à sala de cofres de um banco. Ele encontra-se diante de centenas de cofres todos parecidos e vai abrindo-os um a um. De cada vez, o cofre finalmente aberto perde o seu anonimato para se tornar único: há um que tem quadros lá dentro, outro esconde maços de notas, um outro jóias, ou cartas atadas com uma fita, gravuras, objectos sem valor, baixelas de prata, fotografias, moedas antigas, flores secas, dossiês, copos de cristal, brinquedos de criança etc.»

Jacques Bonnet, Bibliotecas Cheias de Fantasmas